sábado, 29 de outubro de 2011

Sábado

Hoje é sábado,
Um daqueles sábados,
Nada mais estranho, mais indiferente...
A mesma bullshit!

Nada mais faz sentido nesta vida.
Consoante os casos,
Desfaço em pedaços
As moedas
Que estrangulam as goelas
Dos jovens inteligentes
Que vão, vão e vão.
Para lá vão
E em vão permanecerão.

As perguntas catucam a minha mente,
Nesta dúvida permanente,
Faço dos meus ossos o divã
Onde senta a minha alma
E, com calma,
Devora o meu corpo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Morrer

Tenho um buraco no estômago. Um enorme buraco por onde não entra a comida, nem sai os gases da gastrite que me mata aos poucos. Morro, morro lento e sei que um dia eu vou parar mas, para já digo-te, meu amigo:

Morro caminhando,
Sorrindo as minhas vivências,
Consistências, sobrevivências
E conveniências
Porque o meu mundo,
No fundo, fica longe de tudo.

Queima, queima
E queima a minha solidão,
O armário estendido no chão
É o meu corpo desfalecendo gradualmente.

Tem piada? Ignore, ignore e corre.
Sou um espécie carneiro
Com um candeeiro na mão
À procura do bote que navega
No mar sangrento.
Ignore a chamada,
Finge que não tocou o telefone,
Corre à clamada
Que o infeliz morre!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Tertúlia Crioula Portuense - O Convite

Quiz(I)


Qual é diferença entre ignorar o atropelo de uma criança e ignorar a fome de uma criança? Qual é a diferença entre hipocrisia e o cinismo humano?

Uma à parte: Lembro-me de um colega da faculdade ter insurgido contra os cartazes que muitos adoram colar nas paredes na época do Natal. São todas elas com crianças pretas, barrigudas, mal nutridas ou uma preta a amamentar uma criança super magra no meio do lixo. Não sei porque razão mas parece que é chic exibir essas imagens por estas bandas porque, ao fim ao cabo, aquelas imagens comovem, fazem-nos chorar e provocam a onda da solidariedade natalícia.

Eu, sob a condição da minha alimariedade, continuo a admirar a natureza humana. Faço isso muitas vezes quando saio de mim mesmo para analisar a minha pessoa quando sonho ganhar em Euro-milhões. O mais engraçado é que só penso em ajudar os outros depois de muita sabura, no meio dessa sabura toda que sonho, não sei se teria a vida para ajudar os outros. Estou a mentir? É claro que não!
Imagens: aqui

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Allah Akbar

Enquanto os líderes ocidentais comportam como um Shiva-Nataraja, congratulando com a desgraça dos outros, neste caso, a barbaridade que aconteceu na Líbia( ainda hoje ao escrever este texto, oiço o grito guerreiro do Khadafi nos meus ouvidos, "Allah Akbar"), chocam nos seus países os miseráveis da crise que certamente não acabarão com o petróleo da Líbia e certamente erguer-se-ão das escórias, quiçá nos seus próprios países, mais Khadafis. O terror e o medo que esses líderes implantaram na humanidade não vão acabar com a morte de um Muammar Khadafi, Mugabe, Blair, Bush ou um José Eduardo dos Santos.

As armas que estão a ser construídas todos os dias? O assassinato ambiental? A fome? A guerra?

Fazem-me rir e não paro de o fazer como um louco. Podem dormir em paz com as suas famílias meus senhores, não faltarão os monstros por aí, um dia acordarão com ninhadas de Khadafis e Bin Ladens nos vossos territórios.

Não acredito que os males acontecem só a nós ou só a eles, será difícil os homens perceberem isso?

Assim como o que aconteceu no dia 11 de Setembro de 2001, só lamento a morte dos inocentes, quanto ao acto em si, não parece que o inferno bíblico e a tragédia apocalíptica são diferentes do que acontece nos nossos tempos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fim do Khadafi

Hoje é um daqueles dias que se não fosse a minha recente promessa, iria mandar para aquelas bandas quase todos os jornais portugueses, americanos, franceses, os outros... e meio mundo para aquele lugar. Mesmo lá no fundo mesmo!

Quem viu e ouviu o Paulo Portas a criticar o José Eduardo dos Santos aquando da cimeira Europa-África por causa das birras do Gordon Brown com o Mugabe? Que viu o mesmo Paulo Portas a exibir as sua dentadura há poucos meses àquele mesmo ditador de Angola?

O mundo é mesmo bemba e eu não canso de mostrar as nossas hipocrisias, os links em baixo revelam isso. O Khadafi esteve há pouca tempo aqui em Portugal com a sua tenta assim como esteve em França mas enfim, hoje morreu o ditador.

Ele o Mad Dog do Médio Oriente, “fim de uma era de despotismo”, cronologia, reportagens, static etc.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Politicamente Correcto

A partir de hoje, a pedido de uma pessoa muito querida, o mrvadaz vai tentar adoptar a norma do "politicamente correcto", evitando o uso de certas palavras tanto pelo seu editor ao pé de uma máquina de café como aqui neste espaço.

Hoje não quero azucrinar-vos a dizer que o cabo-verdiano adora os finados e todos aqueles nossos entes queridos que que morrem passam automaticamente a ser santos. Queria apenas deixar-vos aqui algumas notas:

a) Fico muitas vezes a pensar nas diferentes formas que a escravatura moderna hoje se manifesta. Além do óbvio, fico muitas vezes a pensar naquela frase do Princezito: "nka sabe se é mi ki é bakan ou se é stória ki sta mal contado". Prefiro acreditar na primeira hipótese, ou seja, que sou um bakan(babaca) e vou lutar imensamente para entrar no sistema e viver a vida dos comuns. Na pior das hipóteses, esquecendo a existência da democracia, vou admitir a segunda hipótese e viver frustrado com a capacidade do homem e ser hipócrita e mentir a si mesmo;

b) Àqueles estudantes cabo-verdianos que estão a viver em Portugal, deixo uma alerta: atenção*! O mundo é como é e não está salvo da ganância dos homens. Li algures por aí na net que a pior coisa que acontece é "deixarmos ser guiados" por um grupo pequeno como se fóssemos ovelhas. Ai se eu fosse livre!

c) Certas atitudes mostram que Darwin, de certa forma, estava totalmente certo com a sua teoria. Não se trata da selecção natural mas sim da adaptação situacional e das posições económicas que situa cada um dos países. Entendo que um pode ser bon vivant em França e ao mesmo tempo lobo mau em Cabo Verde. O mundo é assim. Basta ver a reação nos jornais portugueses quando se trata de um roubo, assalto ou outros crimes. Sem se saber quem é o culpado, a resposta está na ponta da língua: os culpados são os pretos, brazucas, ucranianos e outros imigrantes. Mas isso acontece só em Portugal? É claro que não, em CV temos os manjacos para servir de saco de pancada. Se bem que na terra da morabeza, os pricipais criminosos são as indígenas e nem é preciso ser um expert em matemática;

d) Ao contrário do Allen Halloween, não quero que nasçam mais "Floribelas e Morangos na campa do Salazar", quero sim, aquele "mundo novo(do Allen)" onde todos podem e devem dizer qualquer coisa sem nenhuma censura ou auto-censura;

P.S. Alguém disse-me ontem que o meu problema é justamente pensar muito. Nem vou contextualizar a frase aqui mas como se costuma dizer na minha aldeia, "dentu di alguém alguém".

*A ser desenvolvido num post próprio.
Links: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Está tudo bem!

É uma das frases que começou a surgir na minha mente depois dos meus pessimismos, diria mesmo que a maior descrença seria não viver assim, por isso está tudo bem.

Algumas notícias que nos anima por estas bandas da Europa:

a) "Cerca de 43 milhões de pessoas estão em risco de carência alimentar na Europa e não têm meios para pagar uma refeição completa e 79 milhões vivem abaixo do limiar de pobreza, indicam dados do Programa Europeu de Apoio Alimentar. As instituições em Portugal temem os efeitos dos cortes que o programa vai sofrer", escrevem o Público e Expresso;

b) Esses indignados na Europa e no mundo estão a reclamar de barriga cheia, até porque o Durão Barroso os compreende. Ele compreende a frustração e sabe que a indignação não é a solução. Ele sabe que a Europa procurou, procurou, procura, procura e..., procurará a solução. Até não é preciso PÂNICO!, está tudo bem;

c) É blue da CGTP e da UGT convocar a greve, está tudo bem;

d) Vamos todos sonhar com a caminhada para a paz quando, hipocritamente, fazemos o caminho inverso. Está tudo bem.

sábado, 15 de outubro de 2011

Inovação

Começo este texto a mandar a Entidade Reguladora de Saúde(ERS) para se foder juntamente com todas as suas mentes pensantes!

Para ERS a introdução de taxas na utilização de telemóveis, concretamente, a tributação de um cêntimo por minuto nas chamadas e mensagens seria uma “forma inovadora de financiamento de sistemas de saúde”, ou seja, uma forma de prostituição política onde o Estado Português fornica os portugueses e não só, em troca de 360 milhões de euros.

Isto é uma proposta num país que é o 6.º pior da União Europeia em produtividade.

Haja saco!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pedro Pires MoIbrahim

Antes de mais, os meus parabéns ao Pedro Pires! Hoje as medalhas da nossa república não estão em causa, lol.

Independentemente de concordar ou não com a leitura do VB no Liberal, muito mais longe ainda, quero que uma coisa justifique a outra, simplesmente, assim como o júri do MoIbrahim "ficou impressionado pela visão de Pedro Pires em transformar Cabo Verde num modelo de democracia, estabilidade e crescente prosperidade", segundo o Metro impresso de 12/10/11, o júri de Nobel ficou impressionado com o "esforço" de Obama para a paz mundial.

Portanto, nada de alarmante. De cinismo para cinismo, prefiro o meu cinismo, aliás, o nosso cinismo africano. Que venham mais MoIbrahins para Cabo Verde e, desde já, sugiro os nomes como Mascarenhas Monteiro, José Maria Neves, Isaura Gomes, Eva Ortet, Cristina Fontes, Ulisses Correia e por aí fora.

Concordo com o Zemas, "Kabu Verdi sta na moda"(alupekadu própi goh)!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O meu herói


Morreu o meu herói, aliás, o nosso herói. Aquele que nos libertou do jugo do colonialismo; aquele que deixou-nos implantado nas roças de S.Tomé e Príncipe; o mesmo que teve a ideia de pensarmos e andarmos por nós mesmos; o mesmo que viu-nos estagnados nas nossas próprias ambições.

O meu herói teve de deixar a sua pátria para curar porque não existe especialistas, máquinas nem equipamentos em condições na sua pátria. O meu herói viu-se a auxiliar no território do seu antigo inimigo para poder ter medicamentos, aparelhos e conhecimentos--se ele soubesse, evitaria tantas perdas humanas naquela luta e negociaria a independência da sua pátria por condições de vida digna ao seu povo.

O meu herói teve de vender/dar a sua pátria ao seu antigo inimigo, em troca de esmolas e migalhas. Viu e sentiu a dor ao ver o seu povo louco para ter a nacionalidade do seu antigo inimigo. No território do seu antigo inimigo, viu o seu povo a viver as mesmas condições de quando partiu para a luta da independência.

Ele viu os seus ministros e conselheiros a refugiar-se no território do seu antigo inimigo por qualquer que seja a constipação. Ele sabia que na sua pátria que tanto lutou para ser livre e independente, morrem pessoas com "doenças simples"*, falta água e luz, crimes e tráficos tornaram-se correntes e o desenvolvimento confunde-se com as médias que, como sempre, ao serviço da hipocrisia política, não são acompanhadas dos desvios, por isso, nunca beneficiou o povo.

O meu herói teve o horror de morrer no território do seu antigo inimigo! Como se fincasse uma estaca no seu coração, teve de engolir alguns peixes pelo rabo e, na hora da despedida, perguntou: Para quê a independência?

*"Doenças simples" entende-se, neste caso, como aquelas que são típicas dos países pobres e que o seu surto, geralmente, não mata ninguém num país desenvolvido.

Imagem:(c) Túnel de Junta de Freguesia de Paranhos, Porto. NokiaE71, mrvadaz 2011.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tertúlia Crioula Portuense

Certa vez, o rapper angolano, Drunk Master, disse: é melhor viver no meio do que viver à margem. Foi com este espírito que aceitei o convite do Suzano Costa para a primeira reunião daquilo que será, seguramente, a Tertúlia Crioula Portuense.

O nome fala por si só, por isso, prefiro apenas salientar alguns aspectos que constam no preâmbulo do Ciclo de Tertúlias "Cabo Verde em Debate", que considero importantes como o debate aberto, reflexão intelectual e crítica intersubjectiva.

Se por um lado pretende-se institucionalização das conversas de cafés sobre o "panorama social, político, cultural e académico cabo-verdiano numa única plataforma de diálogo cívico", por outro lado, os cabo-verdianos da Invicta terão toda a oportunidade de expor as suas ideias e fazer-se ouvir as suas vozes. É sempre bom lembrar que a Estrutura Orgânica e Metodologia Ciclo de Tertúlias propõe a "participação de todos, independentemente da proveniência social, orientação política ou credo religioso".

Da parte do Mr.Vadaz e do seu editor, haverá total participação e colaboração no que for preciso para a afirmação da Tertúlia Crioula Portuense.

Vem aí a Tertúlia Crioula Portuense, esteja atento!

NotePad 1

Neste momento queimam os meus olhos, ficam aqui duas notas antes da bateria do computador ir abaixo:

* Adoro a democracia, não pela sua essência mas sim pela sua textura no qual temos uma extraordinária capacidade em moldá-la ao nosso jeito e favor. Diria que, na Madeira, a democracia está mokada mesmo ao jeito do Alberto João Jardim.

* O que está a acontecer com occupy Wall Street nos EUA, é um fenómeno que não deve ser ignorado porque mais cedo ou mais tarde o calo vai dar bum!

Nada

Dou comigo a pensar, a ver por dentro de mim mesmo, depois de ouvir as tuas notícias, dentro de mim tudo pararam. Hoje sou uma pessoa diferente, hoje conto contigo, mesmo que o meu túnel pareça destruído, nada impedir-me-á de seguir a mesma direcção.

Podia chorar, podia cantar neste momento mas não vale a pena porque vai perceber as minhas alegrias, muito menos as minhas tristezas.


Créditos: Halloween - Debaixo da Ponte [Árvore kriminal]

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rendido

Não vou mentir,
A dor é infernal.
Dá-me a vontade de chorar,
Neste momento que em tudo parece
Escuro, mórbido, não estás cá.
Porquê?

Volto a perguntar, porquê?

Solidariedade

Neste momento, estou a ouvir um programa do Moisés Évora na RCV com um tal de ministro que nem sequer me apetece saber o nome. Pelo que pude constatar, as pessoas estão sufocadas e o ministro não parece estar muito interessado na resolução do problema mas, enfim..., 07 de Outubro é um bom dia para mostrar esta indignação.
Imagem: Redy Lima.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Tentação

chamo as letras,
letras por letras,
enquanto sinto a minha cabeça a balançar
e o meu coração a soluçar.
tento de novo,
tento novamente,
mas a resposta que vem da minha mente
é a desconexão total
com tudo aquilo que pede o coração.

fico embalado,
embalado na emoção
e fico com a mesma sensação
quando oiço a música
que balança juntamente com o meu coração.

Penso, tento outra vez,
digo para comigo: é desta vez.
Não! A terceira vez é de vez!
Dou comigo a tentar,
Tentando, até aos limites, segurando
As lágrimas que ameaçam cair
e as promessas que tentam ruir.

tudo aquilo que sinto é um contra-senso,
tudo aquilo que penso não tem sentido.
amaldiçoo a vida, a rosa, a situação
e, sobretudo, a mulher.
amaldiçoo a mim mesmo,
a guitarra, o pensamento
e, sobretudo, o meu sentimento.
dou comigo a tentar mais uma vez
mas, aquilo que sinto não tem razão e
aquilo que penso não tem sentido.

Makaveli - Krazy

Frase do Dia(III)

"Quem pode, pode, quem não pode, nem sacode pode, então, que se fode!"


Allen Halloween - Killa Me.

Aos Tubarões Azuis



Bem, independentemente de tudo que oiço na música e vejo no vídeo, é de salientar a homenagem e apoio do Gilyto à nossa selecção, os Tubarões Azuis.

Eu também apoio a selecção Cabo Verde!

Protesto

E se fizéssemos a mesma coisa em relação à Electra e ao TACV?
Imagem: IPA

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eu

eu, eu mesmo,
aquele que não tem hora, dia ou meses.
o perdido na escuridão que assola a noite dentro,
a dor que não alivia,
a alma perdida
numa vida escurecida
por causa daquilo que chamamos: amor.

eu, o vento que bateu,
a estrela que nunca acendeu,
o grilo que não cantou na aldeia,
a escuridão que ficou por lá,
distante nos ermos
bem perto dos infernos.

eu, aquele impaciente
que não espera a hora,
que não madruga na hora,
que não vai embora
e que não chora agora.

eu, sou eu mesmo,
o mesmo de sempre,
que estica em pé
e que, mesmo não tendo a fé,
abre a boca
num sorriso infinito
para beijar a morte.

mr.vadaz 2011;)