que o desporto não é só o futebol e que há "mais futebol" além do Porto e do Benfica?; se eu disser que há mais desportistas além do Ronaldo e do Mourinho?
sexta-feira, 8 de março de 2019
domingo, 3 de março de 2019
Eleições2019 na Guiné-Bissau - últimos palpites
Não conheço o Código Eleitoral da Guiné-Bissau, por isso não tenho muito como pronunciar sobre as campanhas eleitorais que estão a caminhar para a última semana. No entanto, tenho breves considerações a fazer:
a) se alguns militantes do PAIGC andam a se queixar do MADEM-G15 por andar a distribuir dinheiro à população descaradamente, não é porque o partido deles seja de todo inocente ou inexperiente nessas andanças;
b) não se percebe porquê que em plena campanha eleitoral, um partido com a responsabilidade do PAIGC, através de um candidato a deputado, faça distribuição de materiais electrónicos, materiais de construção, inaugurações e doações;
c) não é preciso ser bruxo para saber que o PAIGC vai (todos os factores apontam nesse sentido) vencer essas eleições - alguns partidos, uma minoria, vão aceitar;
d) o MADEM-15 e o PRS, também muito provavelmente o APU - PDGB, não vão aceitar a derrota. Aliás, já recusaram a derrota antecipadamente. Vão ter apoio de muitos outros pequenos partidos;
e) a instabilidade política vai continuar mas é conveniente que o PAIGC tenha a maioria absoluta para minimizar esse impacto;
Por fim, espero que eu esteja errado quanto à instabilidade. Até depois do dia 10 de Março.
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Guiné-Bissau: porquê que não é desta?
Notas: o texto é do dia 01-02-19; eu desejo que esta análise esteja errada e que, ao contrário do previsto, haja um entendimento entre os partidos políticos na Guiné-Bissau para uma governação pacífica no pós-eleição; houve uma actualização da lista dos partidos políticos que concorrem às eleições, de 24 para 21, devido à exclusão de alguns por falta de condições.
Quando tudo apontava, até o diabo das discórdias não conseguiu contrariar, a favor da Guiné-Bissau, eis que surgiu o JOMAV - José Mário Vaz, Presidente da República. Ele poderá ficar para a história do país como o primeiro a terminar um mandato presidencial mas também indelevelmente ficará marcado como um dos mais conflituosos de sempre: já lá vão sete! primeiro-ministro num único mandato de quatro anos. Estamos a falar de um país pequeno e um caso digno para o Guinness Book.
Para quem segue o percurso político desse país, impõe-se a seguinte questão: qual é a maldição política desse país? A resposta trivial é a estrutura.
Como assim a estrutura? Para percebermos o busílis da questão, temos que ter em conta o contexto da luta de libertação, independência, formação do primeiro governo e/ou golpes de Estado e a democratização.
Sob os desígnios do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), a luta e libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde deu-se num contexto difícil, com uma visível carência social, económica e cultural. A impreparação técnico-militar e a falta de recursos económicos, de estruturas e dos quadros técnicos na sociedade fizeram com que a luta da libertação fosse quase sempre numa também luta contra o tempo. Ao mesmo tempo que nas matas se lutava contra o regime colonialista portuguesa, também se lutava na sociedade civil para alfabetizar, instruir, sensibilizar e preparar os quadros técnicos para o progresso de uma sociedade que se queria construir. (Mais vale uma sociedade improvisada do que uma sociedade subjugada).
Se, por um lado, é nesse contexto em que é morto o líder da luta, Amílcar Cabral, e que também se dá a independência, também pode-se constatar aqui que muitos militares que chegaram a posição de líderes poderiam não ter competências para desempenhar certos cargos civis. A governação seguiu a matriz marxista do partido único - PAIGC.
Por outro lado, é sabido que a convivência entre os cabo-verdianos e os guineenses não era de todo pacífico no seio do PAIGC. Diga-se de passagem que os guineenses que constituíam uma maioria do corpo militar não estavam satisfeitos com as chefias da direcção do partido que era maioritariamente cabo-verdiana. Tenho dúvidas se era essa o cerne da questão e do descontentamento. Aqui também não devemos esquecer que havia a questão do Comando Africano, um corpo militar constituído por africanos que lutaram ao lado dos portugueses, por resolver no pós-guerra.
Houve purgas internas no partido libertador, fuzilamentos públicos, traições, acertos de contas, quezílias e outras mazelas da ditadura do partido único.
O certo é que o general Nino Vieira, um homem do aparelho, com o seu Movimento Reajustador, deu o golpe de estado que depôs o Luís Cabral, Presidente da República e a consequente separação de Cabo Verde. Os cabo-verdianos se dissociaram dos bissau-guineenses e o PAIGC passou a designar-se Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).
Ao contrário desse arquipélago, os bissau-guineenses mantiveram o PAIGC que, pela lógica do golpe e da saída de Cabo Verde, poder-se-ia designar perfeitamente PAIGB. Por isso, aqui podemos ver um certo oportunismo do Movimento Reajustador. Com a abertura democrática, o Nino Vieira não se deu ao trabalho de actualizar o nome do PAIGC, diferenciar os símbolos partidários dos do Estado e muito menos criar uma constituição distanciasse o Estado do Partido. Hoje em dia, todo o Estado da Guiné-Bissau é refém do PAIGC.
Conclusão: toda a estrutura que constitui a República da Guiné-Bissau nasceu num contexto difícil e na devida altura não teve reestruturação e a merecida reforma. Aqui não estou a considerar essa desestruturação como como fruto dos sucessivos golpes de Estado, guerra civil, assassinatos, perseguição, tribalismo, purgas nas Forças Armadas, queda de governos e presidentes, etc.
Qual é a solução? A meu ver, só um amplo consenso político e social resolverá o problema. Esse consenso começa com a renovação do PAIGC que deveria automaticamente mudar de nome. Libertação do Estado através de mudança da Constituição e dos Símbolos Nacionais e renovação de um conjunto de estruturas partidárias e sociais que estão a criar um certo vício na sociedade. Um dos vícios partidário visíveis na Guiné-Bissau é a inexistência da oposição política, talvez isso explique a existência e a proliferação de partidos políticos como se fosse os cogumelos em cada esquina da rua.
Sempre que se fale nas eleições surgem ideias como "governo de transição, de salvação nacional, de consenso", "pacto pós eleição", "pacto de governação" e por aí fora. A oposição - o Partido de Renovação Social (PRS) é um caso gritante - habituou-se a governar, sempre que perde as eleições, por convites ou golpes de estado. Hoje em dia, por não saber se estar na oposição, criou-se um vício e uma elite gananciosa que faz qualquer jogo político para estar no governo. Para isso, muda de partido com bastante facilidade, cria novos partidos, faz insubordinação partidária, criam pactos extra-parlamentares e por aí fora com o objectivo de chegar ao poder. É isso que é preciso e urge combater.
Porquê que não é desta? Porque ainda não existe esse entendimento, o PAIGC não vai querer perder as eleições e o interesse partidário neste momento sobrepõe ao interesse da nação. Basta ver as estruturas do partido e ainda o foco que se dá à figura do Amílcar Cabral - não se deve dar ao novo tempo as velhas respostas; basta ver o pacto pós eleição que o PRS está a pedir; as suspeições criadas pelo APU - PDGB e MADEM-G15 antes das eleições; os vinte e quatro, sim são 24!, partidos que vão concorrer às eleições do dia 10 de Março... Nem os maiores optimistas vão acreditar que é desta. Mas vale a pena caminhar e o erro faz parte da aprendizagem!
Sobre o MADEM-G15, dissidentes do PAIGC, nunca vi um grupo tão idiota. Mas vou escrever um post sobre esse partido.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
São todos democratas mas...
Quando vejo a arrogância e a prepotência de muitos líderes europeus perante à Venezuela, fico numa espécie de já-conheço-a-vossa-democracia. Os catalãs estão a nadar na democracia que foi do Iraque à Líbia.
E quando os ingleses disseram que já não querem pertencer ao clube democrático, além da lamúria e do desespero, soltaram a tampa. Ainda bem que a Inglaterra não é a Grécia, nem Portugal.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
MADEM-G15 - Um nado morto?
Podia aqui poupar o trabalho ao leitor e resumir o MADEM-G15 numa adaptação frásica: “saíram (aliás, foram expulsos) do PAIGC mas o PAIGC não saiu deles”.
O MADEM-G15, que só por ter G-15 no nome devia fazer urticária a qualquer eleitor democrático, é um partido político criado por 15 ex-deputados do PAIGC, expulsos por causa de indisciplina partidária. O Braima Camará, que perdeu as eleições internas e que liderou a sublevação dos 15 deputados no parlamento, é o líder saído da primeira convenção desse partido.
Ao analisar os factos, independentemente de haver ou não um "projecto" (Doka International deu com a boca no trombone) em conluio com o Presidente da República, JOMAV, não é normal que 15 deputados de um partido se unam à oposição para chumbar o programa do governo suportado pelo partido do qual foram eleitos e que estejam prontos para formar uma bancada independente e viabilizar um governo da oposição. Todos os partidos políticos têm um estatuto e há matérias (o Orçamento do Estado é uma delas) que exigem a disciplina de voto.
Agora, vem o papista dizer-me: “isto é uma democracia, o mandato é do deputado e ele é livre”. Respondo: sim senhor, tudo isso é verdade. Mas também eu pergunto: ele foi eleito sem partido? O partido pelo qual ele foi eleito não tinha um estatuto a que ele foi sujeito para entrar na lista dos candidatos a deputado? Porquê que ele tem que desrespeitar esse estatuto agora? Não seria mais coerente renunciar o mandato e criar um partido com estatuto diferente? Sim? Ah não, isso é uma chatice, perde-se os privilégios, o tempo e dá imenso trabalho!
São essas incoerências que o Braima Camará e companhia não conseguiram explicar, reclamando o direito à militância no PAIGC até ao último instante. Queriam a carne e o ovo da mesma galinha ao mesmo tempo, enquanto que a lógica nos diz que se deve optar por uma coisa ou outra. Pior disso tudo foi ver o Presidente da República a imiscuir na vida partidária e um outro partido, PRS, a apoiar activamente uma delinquência partidária dessa. Já dizia o ditado que "o tornado é bonito mas lá no quintal dos outros". Com essas atitudes, o PR perdeu a sua equidistância que lhe permitia arbitrar e o PRS revelou ser oportunista e amigo onça da democracia.
Isso leva-me a concluir que o PAIGC esteve muito bem em expulsá-los porque uma coisa é a divergência das várias sensibilidades partidárias internas, que é saudável para a vitalidade partidária e heterogeneidade das listas; outra coisa é delinquência e indisciplina partidária, inaceitáveis em qualquer parte do mundo.
É justo que, na impossibilidade de vencer as eleições internas e de conviver democraticamente com o líder eleito, o Braima Camará queira criar o seu partido. É um direito que lhe assiste. O que não é aceitável, e é miserável essa ideia, é achar que tem o direito de criar o "seu PAIGC", plagiando as cores e usurpar os símbolos do PAIGC (ver a imagem em cima). Nada na simbologia do partido criado é original (já agora, eu sei que o caju não é o milho). Isso é uma demonstração de incompetência, que não estão preparados para dirigir o país. Se não se conseguem reflectir nem para criar um partido direito, acham que ainda conseguem uma reflexão profunda sobre a sociedade para dar as respostas adequadas à governação que se pretende?
Se em mais de vinte anos da democracia, por conveniência e marasmos do PAIGC, não se distinguiu os símbolos nacionais dos desse partido - aí é que os outros partidos políticos e os sectores da sociedade guineense deviam fazer um finca pé -, surge o MADEM-G15 para reforçar essa posição privilegiada que só o PAIGC tem na sociedade. Estão a ver o paradoxo? É só isso que a cabeça dos dirigentes do MADEM-G15 produz?
Falta um pequeno pormenor ignorado: qualquer, repito, qualquer eleição partidária na Guiné-Bissau o PAIGC, além de favorito, parte em vantagem em relação aos outros partidos. Porquê? Porque o PAIGC, além de libertador e histórico, tem a bandeira, o brasão das armas, as cores, o hino e toda a simbologia do Estado. Por outras palavras, o PAIGC tem o Estado da Guiné-Bissau sequestrado.
Ao Braima Camará, pode-se ter muito dinheiro e comprar muitas coisas e até muitas consciências ou diplomas mas o conhecimento e o desenvolvimento da capacidade de governação não está à venda.
Quanto ao Sissoko Embalo, já dizia o outro "não é por morar perto de um hospital e ter muitos amigos médicos que faz de mim um médico". O homem pode ter muitos amigos chefes de estados, viajar de jatos privados deles, se fotografar ao lado deles ou jantar com eles mas nada disso faz dele um estadista ou lhe dá alguma competência para tal. O homem devia estar mais preocupado com as campanhas eleitorais no terreno do que armar-se em "acompanhante de luxo" dos chefes de estados.
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Faxi-faxi
O parlamento da Catalunha acabou de declarar a independência, com Madrid a dissolver o governo a seguir. O que acho curioso é a posição da Europa - estou a lembrar-me da atitude perante crise económica da Grécia - nesse "jogo" espanhol. Cabo Verde devia mas era calar-se para não fazer esse papel de triste atrevido.
Quem nunca devia se sentir triste perante as relações entre os estados é um presidente da república de um país livre e independente mas num país de (é melhor não dizer!) dá nisto. Tanto sangue derramado nas matas da Guiné-Bissau para termos hoje uma elite frouxa.
Que o Miguel Monteiro é um pateta alegre todos sabem mas se é um mentiroso compulsivo com direito a se demitir, assim como o chefe dele, saberemos se se confirmar esta notícia.
As boas intenções enchem o inferno justamente por causa de actos como este. É que disponibilizar conteúdos online para os alunos do ensino básico em Cabo Verde faz me lembrar aquele agricultor que vedou com um saco plástico verde transparente os olhos da vaca para comer o pasto seco como se fosse verde.
sábado, 21 de outubro de 2017
Buraco esquisito
Sei que, sem meter nada geológico, onde se formaram os estalactites e os estalagmites foi lavada com as águas ventas dos magmas dos vulcões. Magnífica, confesso!
Sei que teimaste em consolidar um certo magma..., afinal o buraco é esquisito.
P.S: esta (não) é uma boca em particular, se bem que o dr Borche me entende.
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Kobamko 750Lx - O Pica das ruas
Introdução
Lisboa é um sítio interessante para se viver em Portugal. Não caio na tentação da narrativa portuguesa de "o melhor"-de-qualquer-coisa, até porque só conheço Porto e Lisboa, apesar de ter passado por algumas cidades do norte e sul de Portugal e só vivo cá há 15 anos. Ao contrário, muito bons portugueses que nem sequer foram a algum país africano, ou só porque passaram umas férias bacanas nos hotéis e resorts em Angola ou Moçambique, acham que estão em condições moral, intelectual e cultural para me falar, quase sempre mal, de "ei-iÁfrica". Caramba, pá!
Voltando à questão lisboeta, eu desde já há uns bons tempos que ando a observar a questão e o fenómeno emigrante/imigrante. Não no sentido académico, ou melhor, não da forma como normalmente esses temas são abordados e tratados nos estudos académicos. Eu prefiro ver, observar o perfil social, moral, comportamental de um emigrante/imigrante na sociedade. E é interessante, até porque sou um imigrante.
E quando falo desses imigrantes, estou a falar do grosso imigrante, da classe imigrantes pouco instruída e que normalmente desempenha funções pouco qualificadas nas sociedades onde estão emigradas e se comportam quase sempre como reis arrogantes nos seus países de origem, iludindo de certa forma a população de origem deles através de alguma ostentação. Se é do conhecimento de todos que antigamente muitos emprestavam ouros e dinheiro a amigos e familiares para ir de férias e apresentar-se como emigrante bem sucedido, hoje em dia parte dessa ostentação é feita a partir das redes sociais e videoclipes musicais. Afinal, djan bira fino.
Eu tenho acompanhado de perto os emigrantes/imigrantes da CPLP, com um especial interesse para os dos PALOP de que faço parte e com o foco na comunidade cabo-verdiana que pertenço.
Nesta perspectiva, vou começar a rubrica Kobamko 750Lx, uma espécie de "africanização" das iniciais dos centros comerciais Colombo e Babilónia, do Metro de Lisboa e Comboios CP da linha Sintra. O número 750 refere-se ao autocarro 750 da Carris e o Lx, é óbvio, é a abreviação de Lisboa. São lugares com mais imigrantes em Lisboa, sem margem para dúvidas.
Kobamko 750Lx pretende ser umas "brónicas" (bocas e crónicas) hipérbole, internetês, caricatural, humorística e (quase) desmioladas típico das linguagens só vida ku saúde, 'deus' no comando, TOP e nhas dimeus por direito. Não vão ser muito diferentes - que exagero! - das "letras" do Zé Espanhol e outras "letras" do funaná do Buraka mas conscientemente e vou esforçar para não ser iguais às "floribellices" de um Anselmo Ralph, um Zé Pedro 4 C4Pedro ou os Calema.
P.S. Para que as brónicas tenham um título mais "aceitável", passarão a designar-se O Pica das ruas. O Pica é um revisor dos meios de transporte e eu, ao contrário, farei observações e não passarei multas ao comportamento de ninguém.
Até à próxima paragem!
domingo, 15 de outubro de 2017
Ulisses, uma fraude?
Já não me recordo bem o porquê mas não acompanhei de perto as últimas eleições legislativas em Cabo Verde. O certo é que, um pouco antes, estive lá e vi o trabalho, que considero bastante satisfatório, do Ulisses enquanto autarca da capital do país. Por outro lado, das conversas e observações que fiz, concluí que no ar pairava um certo desejo de mudança no seio da população cabo-verdiana. De certa forma, é preciso frisar, o povo das ilhas já estava cansado da governação do PAICV, durante os quinze anos e, confesso, também achei que já estava na hora de novas políticas e ideias para o arquipélago.
Aconteceu que se confirmaram as minhas observações e o Ulisses foi eleito primeiro ministro com a maioria absoluta. Ao se apresentar como "ser e fazer diferente", diz-se ser alguém capaz de faze feliz a população cabo-verdiana - música para os ouvidos das pessoas cansadas da criminalidade, desemprego e crise económica. Com promessas de regionalização - os mindelenses pirararam com a ideia! -, o imediato resolução dos problemas dos TACV, do emprego, do crescimento e o Chã das Caldeiras, Ulisses parecia ter aquela bara condon di fitisera de Achada Baleia para resolver os problemas. Já dizia o meu amigo, há um oceano que separa calcetar uma praceta e governar uma nação.
De todas as promessas feitas, Ulisses não conseguiu resolver um único problema e, muito pelo contrário, revelou ser um excelente político suicida: agrava esses problemas e implica o governo directamente nesses processos, com uma grande onda de opinião pública negativa.
Foram com a TACV, o caso Monte Tchota, o Chã das Caldeiras, supressão unilateral do visto a cidadãos oriundos da UE, TCV/Inforpress e o troculento ministro, Abraão Vicente, da cultura e indústria criativa, o caso de apoia a Israel na ONU, os famosos manuais escolares e por aí fora. O quê que mais falta acontecer para o Ulisses dizer "epah, demito-me porque não sou talhado para isto"?
Numa das conversas, um dia, esse mesmo amigo meu disse-me que o Ulisses é uma autêntica fraude. Achei um pouco insultuoso e exagerado mas a verdade é que o tempo não está a fazer-lhe desmentir ao meu amigo, paradoxalmente está a reforçar a posição dele.
Se se mantiver esse caminho, tenho sérias dúvidas que o Ulisses e o MpD terão um segundo mandato em Cabo Verde.
Veremos!
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Zito Azevedo: Arrozcatum para sempre!
Justamente num dia que deixei a Lisboa para visitar o Porto, recebo a notícia da morte daquele que foi um grande amigo, a presença assídua aqui no blog e uma das peças mais lubrificadas da Blogosfera Cabo-verdiana: Zito Azevedo.
O Zito foi, seguramente, o blogger mais persistente e activo da nossa blogosfera, criando e cultivando amizade com todos. Partilhava com todos a sua experiência e sabedoria. Divulgava orgulhosamente a cultura de Cabo Verde, com destaque especial da ilha de São Vicente.
Desde o dia 12, quando soube da notícia por volta das 19h30, ando triste e angustiado. Lamento muito!
O Zito Azevedo comeu o último prato do Arrozcatum em Lisboa anteontem, mas certamente vai comer muito mais no paraíso acompanhado de um bom Big Boss tónico. Caro amigo, reserve um lugar à mesa para mim quando chegar a minha hora. Prometo levar um Gin Mare com hortelã e pimenta rosa.
Até sempre!
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quinta-feira, 28 de abril de 2016
O mundo é bemba
Lá em Cabo Verde diz-se que o "mundo é bemba", literalmente qualquer coisa como "aquele que vem e vai", ou melhor, "ontem o tornado estava no meu quintal, hoje está no teu".
Há uns tempos, uma leviana que, por acaso, recebe um salário como jornalista no jornal Asemana de nome Carina David escreveu que "os estudantes cabo-verdianos assaltam supermercados no Porto", não apresentando nenhuma prova, nem factos, que liga um caso isolado à realidade estudantil na Invicta. Foi pura e simplesmente uma leviandade e um puro sensacionalismo.
Todos torceram o nariz, criticaram os estudantes e ninguém se lembrou de analisar a peça e criticar a postura da Carina David. Todos disseram "tá-se bem", "os estudantes não prestam e só querem a paródia e a vida boa".
Anteontem, de repente, todos ficaram pasmados com a leviana ligação que o mesmo jornal, Asemana, fez do caso Massacre em Monte Txota ao narcotráfico. Nada inocente mas igualmente irresponsável como fez com os estudantes cabo-verdianos no Porto.
Querem saber mais? Cá se faz, cá se paga e é pena que nenhuma dessas levianas, que se auto-denominam jornalistas não vão parar à cadeia.
[Imagem: Expresso a apoucar da desgraça alheia. Espero estar aqui para assistir os cinco minutos de fama quando chegar a hora de Portugal]
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Manuel Sanches Da Luz
Talvez por isso o teu nome confunde-se com o nome da Baía de Nossa Senhora Da Luz e não há uma única pessoa que não te conhece nessa freguesia. Eu sei e tu sabias que um dia ias partir, até porque há menos de dois meses me disseste isso em tua casa mas uma coisa te digo: volto à Baía para dar a minha contribuição. E é uma promessa!
Esta é a única forma que tenho de perpetuar e eternizar - por enquanto - o teu nome. Espero que não tiveste amargura na hora da tua partido porque este teu discípulo promete lutar.
Descanse em paz!
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Evidentemente,
Estou de volta e não sei se efectivamente volto.
No entanto, depois da Janira ter perdido as eleições, do arresto do boeing da TACV, do FC Porto ter perdido a esperança de ser campeão, do Marcelo Rebelo de Sousa ter ido para Belém...
Obviamente, depois de ter ido de férias a Cabo Verde - e já agora, o Jota também -, da mãe da minha filha se ter casado, da mensagem da Paula, de não puder ver alguns amigos que se camuflaram nos seus bairros na Praia, de nunca mais ter notícias da Angella G., da Aleida se engordar, de renovar o contrato de trabalho e dos cansaços. Depois, do depois, obviamente outra vez..., de nunca puder tomar um café com o Zito Azevedo do Arrozc'atum.
Entretanto, depois de nunca esperar que os bissau-guineenses se entendam e ter a noção exacto de que o PAIGC é um dos problemas do estado em que o país se encontra, do Zemas se ter desistido das presidenciais, do Jorge Santos ser presidente da no Assembleia Nacional, da Dilma estar a lutar contra o impeachment, dos comboios, da Megs...
Epah, depois dos 'depoises', estou aqui.
[Imagem: o Efectivamente da noite das eleições em Cabo Verde na RTCI]
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Guiné-Bissau, outra vez!
De santo tenho nada, menos ainda de um adivinho, portanto vou dizer uma coisa que cheira ao sacrilégio: a única vez que os bissau-guineenses tiveram sucessos politicamente foi coadjuvado pelos cabo-verdianos.
Sou suspeito para esta afirmação? Muito. Mas, então peço que alguém me contrarie! É que não estou a ver nenhum sucesso político e governativo de um único partido ou presidente nesse país depois do golpe que ditou a separação de Cabo Verde. Com a saída de cena dos cabo-verdianos, sucessões de tragédias sucederam na governação da Guiné-Bissau: do Nino Vieira ao José Mário Vaz/Domingos Simões Pereira, os últimos redutos da esperança, houve golpes e contra-golpes de estados, matanças, esquartejamentos e espancamentos dos presidentes, primeiros-ministros, CEMFAs, ministros, deputados, chefes militares, das secretas etc, etc.
Ultimamente, apesar do cansaço e falta de tempo, tenho segurado bastante para não escrever nada sobre esse país que tanto gosto para não parecer um amigo onça: sempre que escrevo é para "dizer" mal.
Estou a me lembrar agora do professor bissau-guineense, Julião de Sousa, numa das suas conferências: "engane-se quem pensa que o problema da Guiné-Bissau é militar. O nosso problema é estrutural. Podem fazer reformas militares que quiserem hoje, amanhã teremos os mesmos problemas". Obviamente, ele falou do analfabetismo do país e de muitos deputados, da estrutura desadequada, do modo de funcionamento arcaico e da própria contradição do PAIGC, da Constituição, da Bandeira e do funcionamento do parlamento. Até propôs um modelo com duas câmaras que funciona como o parlamento inglês, em que a Câmara Alta será ocupada por deputados escolarizados que se preocupem com as leis e o funcionamento do país a Câmara Baixa ocupada pelos régulos, anciões e outros que poderão ser menos escolarizados mas que ocupam posições privilegiadas nas tribos e populações. Esses ocuparão de ser consultores aos ditos deputados da Câmara Alta, uma vez que estão directamente em contacto directo com as populações e são pessoas respeitáveis que levarão as preocupações das populações ao parlamento.
A minha pergunta é esta: o PAIGC está interessado nisso tudo? Claro que não porque o status quo caótico, por mais que dói, favorece a esse partido que desde sempre nunca se mostrou minimamente interessado, nem pelo o mais básico das contradições: retirar o nome de Cabo Verde, um país soberano e independente, da sua sigla.
A minha análise é esta: o status quo criado e alimentado pelo PAIGC já se instalou tanto que já se criou na sociedade bissau-guineense, em toda a sua quadrante, uma pequena elite maleável, corrupta especialista, que vive do caos e das intrigas. Só assim se explica tanta elite e gentes disponíveis para apoiar golpe x e entrar nos governos de transição, de salvação nacional, de iniciativa presidencial, de intrigas pessoais e por aí fora; só isso se explica o Baciro Dja, 3º vice-presidente do PAIGC, ignorando o estatuto do próprio partido, aceitar ser nomeado por um decreto presidencial quase que pessoal; só isso se explica o PRS ter aceite fazer parte do governo de Baciro Dja, assim como o anterior governo de DSP. É sinal de que, por mais que o país precise de um consenso governativo e pode-se fazer isso sem ter que entrar num governo, há gente, no PAIGC, PRS e outros partidos, que já se percebe e é consciente da corrupção, impunidade e o enriquecimento ilícito ao entrar num governo, por isso está disposta a tudo, mesmo que isso significa anos e anos de atrasos para um país.
Moral da história: ser patriota e nacionalista é ter a consciência da história e do meio onde estamos inseridos, lutando por uma vida melhor e deixar melhor o lugar onde nós estamos; os bissau-guineenses não estão a fazer absolutamente nada disso.
A minha outra pergunta: alguém acredita que a merda já acabou na Guiné-Bissau? Eu digo, a merda só agora é que começou e a porra vai ficar séria!
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quarta-feira, 29 de julho de 2015
'Limariedade' que há em nós
"Deus fez a mulher, pensando no homem", dixit um amigo. Ao contrário do que parece à primeira vista, não é uma frase bíblica, é uma frase puramente mundana e não traz nenhuma inspiração divina.
(Por esta e mais alguma coisa que fico a pensar, com a cara sorridente, na inspiração que os "nossos" profetas tiveram. Não é por acaso que o Adão, mesmo ouvindo directamente os conselhos de Deus, comeu a fruta. Também eu comia!)
(Por esta e mais alguma coisa que fico a pensar, com a cara sorridente, na inspiração que os "nossos" profetas tiveram. Não é por acaso que o Adão, mesmo ouvindo directamente os conselhos de Deus, comeu a fruta. Também eu comia!)
Ontem, fui ter com uma amiga que chegou da Guiné para umas férias na Europa. Ela queria me ver. Ao chegar lá, estava ela sentada no chão da Zara do Colombo - cansada de tanto andar às compras com uma amiga grávida.
Ela cumprimentou-me, apresentou a amiga, e o rapaz que com elas estava é um velho conhecido no Porto. Falamos, relembramos os tempos no Porto, depois ela levantou-se para irmos pagar as compras na caixa: - Mother of God, Jesus Maria!
Naquele momento percebi o pecado do Adão, os mulatos da escravatura, a "costeleta" que Deus tirou do Adão e porque Ele "fez a mulher, pensando no homem".
Os mais cínicos me vão dizer que é triste um homem ver a mulher nesta. Digo-lhes: rasguem a Bíblia, parem a respiração, fechem os olhos e explodam o mundo.
No fundo, o homem é um ser selvagem e não é por acaso que todos querem um bife mal passado.
sábado, 4 de julho de 2015
CONBERSU TABERNA II: Cabral, canja, verduras e dignidade
Por Dotor Borchi
Dja-m bira fino. Gosto dela. Gosto de tê-la à frente. Adoro comê-la. Tanto quanto me apetecer. Mas estar publicamente ao lado dela... não sabe bem. É indigno! É sinal de falta de fineza. O nome dela, quer dizer, são mais do que uma, os nomes delas são canja e verduras.
Sta na moda. Foi assim. Quando a Janira Hopffer Almada – é preciso dizer, com aparente insuficiência lírica no script do seu discurso - disse que os cabo-verdianos deviam perguntar-se o que podiam fazer para sair do desemprego. Entre outras coisas, deviam perguntar-se “se tem pastel ki n’podi fazi, se tem canja ki n’podi bendi”. Logo a seguir, um conjunto de activistas sem pasta desatou-se em indignação. Que esse tipo de trabalho é indigno, etc. Aliás, a indignação alastrou-se por uns largos dias na rede (social). E eu, que sempre ouvi a sua avó a dizer que “hora ki tem pouco, trabadju ka ta scodjedu” senti logo uma enorme vontade de partilhar no Facebook foto da sua avó acompanhada de frases de indignação. Pois, muita boa gente adora comer canja. Tanto quanto lhe apetecer. Desde que haja alguma. Contudo, outra coisa é vender canja. É indigno. Bem, dizer que vender canja é indigno não deixa de ser um grande insulto às vendedeiras. E ainda, confundir “indignidade” com “pouco gratificante” poderá ser um auto-insulto. Pelos vistos, em Cabo Verde, toda gente quer tornar-se fino e estar na moda. Quando não se está moda, igual aos outros, aumenta-se os próprios salários.
E à dra. Janira, uma vez que dirigir um País é, em primeiro lugar, gerir sonhos, convêm inovar-se no discurso. Contudo, sem excesso e extrapolação. É quase certo que o meu tio, Djon de Féfé, agradecia se não usasse, ou pelo menos usasse pouco, a seguinte lista de palavras: “porton di nôs ilha”, “gota d’agua”, “transformação”, “plataforma”, “e-governance”, “horizonte 2030”,“empreendedor”, “cluster 'preencher com alguma coisa'”, “era de microprocessador”, este último inventado pelo dr. Jose Maria Neves, etc. Dizia, o meu tio agradecia porque ele não percebe os meanings destes termos, e eu muito pouco.
Bem pa moda. Também foi assim. A Câmara Municipal da Praia iniciou a instalação – provisória - do mercado municipal nas proximidades da estátua de Amílcar Cabral. Espaço esse, que serviria provisoriamente de lugar para as vendedeiras comercializarem as suas verduras, entre outros produtos. Muitos activistas, uns com pasta e outros sem pasta, desataram-se logo em indignação. Entre os indignados estavam: a dra. Iva Cabral (pelos vistos, filha de Amílcar Cabral e reitora de uma universidade em S. Vicente), o dr. José Maria Neves (que pelo nome, tudo indica que é o primeiro-ministro de Cabo Verde), o dr. Manuel Brito Semedo (supostamente um professor universitário) e o dr. Manuel Veiga ( eventualmente um professor universitário). Uma coisa é discutir a pertinência da data ou o efeito em termos do simbolismo e, talvez, arquitectónico que uma construção – qualquer que seja ela – possa ter em relação à estátua. Outra coisa, bem diferente, é dizer que ter vendedeiras de verduras nas proximidades da estátua de Amílcar Cabral é indigno. Isto sim, é um insulto, se quiser, à memória de Amílcar Cabral. Mais, um insulto à dignidade das vendedeiras. Trata-se, uma vez mais, de um acto de fineza. Se não estou errado, foi esse mesmo Cabral que tantas vezes falou de “reconquistar a nossa personalidade e dignidade de homens e de africanos”. Mas pronto, “bem pa moda”.
Dentu moda. Convêm que em vez de se armar em fino e seguir a moda, “pensemos pelas nossas próprias cabeças”. E construir uma sociedade partindo de “coisas simples e básicas”, dizia Sampaio da Nóvoa. E já agora, o meu tio agradecia. E no rol dessas coisas básicas e simples incluir-se-ia: fazer agricultura, estudar, pescar, vender canja (pastel, verduras, etc.), ser costureira, ser condutor de Hiace, etc.
sábado, 13 de junho de 2015
Cristina Duarte, a Kitty
Não queria comentar a BAD fight da Cristina Duarte, já que ela já tinha levado um KO antes de partir para o combate.
Porquê que ela não se deu conta disso? Nem Zona, nem Ulisses e nem todo o elenco governamental de Cabo Verde que apoiaram-na nesta fracassada campanha?
Porque o cabo-verdiano tem ego demasiado grande, não tem a noção da realidade africana, passa vida a querer e a apresentar-se como um europeu. E porque ele se acha ser o africano - ou não - mais iluminado, por isso nunca reconhecerá o mérito de outros africanos. É como no nosso conto tradicional, o cabo-verdiano se acha sempre Chibinho e que todo o resto do africano seja Lobo.
Cristina Duarte perdeu, pelos vistos, por um outro africano com mais experiência e com um curriculum melhor. Ponto final.
É difícil reconhecer isso?
Essa história de Cabo Verde ter ganho com a fracassada e derrorada candidatura não passa de uma desculpa para massagear o ego do mau perdidor e alimentar o mito da nossa superioridade moral e intelectual. Não tem fundamento e não passa disso mesmo.
Ser o menino bonito e bem mandado aos olhos dos europeus não nos dão nenhuma das competências e requisitos necessários para vincar na realidade africana. Portanto, desculpas como esta ferida e este ganho é meter a cabeça na areia para não enxergar o problema.
[Imagem]
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Da série Invicta II
Existem situações que nunca estamos preparados para lidar com elas, só sabemos, ou melhor aprendemos a lidar lidando, e só as percebemos da pior forma possível. As separações, as grandes perdas como a morte e outras situações não menos dolorosa na vida.
Ainda hoje, confesso, faço uma espécie de bloqueio da memória para não pensar, nem recordar um episódio que passei no Porto. Ao longo desses tempos, olhem que já passei por tantas merdas e acredito que mais hão-de vir, a vida ensinou-me a lidar com muitas situações mas ainda há coisas que me corta a barriga e entorse o meu coração. Poderei estar preparado para algumas perdas, separações, dificuldades e outras situações mas não consigo ainda lidar com o choro da minha filha porque parto.
Deixar o Porto em si foi uma foda, já que nem vou falar da situação e das circunstâncias, ter a consciência que ficou para trás uma filha é um não-sei-o-que-é.
Agora consigo perceber melhor quem adia ao máximo possível a decisão de ter um filho; ter filho é estar preparado para as imprevisíveis merdas - embora que no meu caso não era assim tão imprevisível o que aconteceu - que exigem uma certa experiência de vida, maturidade e estômago para situações adversas que nem todos estão preparados para algo assim tão cedo. Ter que aprender isso à saca-rolhas pode deixar marcas insuperáveis.
No Porto, estava tudo bem até que a mãe da minha filha foi ter connosco no shopping para a levar para a casa. Estava eu, ela e o Freestyle a comer batatas fritas. Pude ver a tristeza dela quando a mãe dela manifestou a vontade de levá-la para a casa; escutar o choro dela foi horrível e não estivesse acompanhado do meu amigo, não conseguiria segurar as lágrimas.
Sou o melhor pai do mundo? Não, a resposta é absolutamente não, até porque falhei na situação mais básica: assegurar uma família coesa para ela. Tenho dado, dou e darei o máximo que puder e que a situação me permitirei. Tenho feito os updates necessários para manter a windows da situação aberta.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Do blog - obrigado!
Se há coisas que agradeço nesta minha curta existência, uma delas é, a partir dos convívios que este blog me proporcionou, a amizade que tenho travado com alguns dos leitores.
Há dias, do nada, recebi a seguinte mensagem no meu Facebook: "oii habitante das bandas do Cais do Sodré kkkk
tem uma prima ta bai pa Lisboa quarta fera...agora...como djo dura bu ka odja terra nsaba ta pensa mandou um 'ncomenda di terra
nha primeru pensamento bai na um garrafa di grogue...ago nka sabi se é uma boa..."*
Não é difícil adivinhar que a proposta caiu-me dentro do meu sal e, para agradecer, emprestei uma outra expressão de um grande amigo e leitor para dizer que ela é uma SANTA! Justifico: a) foi uma surpresa, não estava nada à espera que algo do género acontecesse; b) é de amizade e uma grande simpatia o gesto; e, como podem perceber, estou em Lisboa e ela, em Cabo Verde. Aliás, declaro outra vez, é de uma tremenda santidade o gesto!
Mais não digo. Nessas horas que vem à cabeça aquela frase facebookais: "a vida é bela e vale a pena ser vivida".
Dito isto, e todas outras mariquices para um simples agradecimento, um grande UBUNTU à leitora e amiga Crioula di Terra!
Comentários: este post foi escrito com uma cálice à direita e o Tcheka - Talulu aos ouvidos e sem nenhum exagero; * Faço tradução para português se houver leitor descontente com o crioulo; a flor foi oferecido pela filha do meu amigo para dar à minha filha.
Da série Invicta
2) Já me fazia falta estar com uma pessoa para falar de música, literatura, poesia, política, sociedade e até da religião. Não é preciso também dizer que falamos de mulheres - das mais boas às mais putas que conhecemos. Reencontrei alguns dos meus amigos mas travei uma boa conversa sobretudo com o Jota e o Freestyle;
3) O cansaço da viagem, do trabalho e a falta de tempo fizeram com que em ambas as situações ficassem alguns dos bons assuntos por serem tratados, ou melhor falados ou mastigados ao pormenor;
4) Já não estava com a minha filha há cinco meses, portanto tentei aproveitar o máximo possível do tempo com ela. Ela reconheceu-me, ufah!, o que aliviou um pouco a sensação de culpa e uma certa irresponsabilidade minha. Entre Contumil e Quinta do Covelo, além de algumas gargalhadas conversas e fotografias, pude perceber melhor a falta faço na vida dela. Mas a vida é um puta-que-pariu que sucede à uma outra puta que por certo, nada é certo;
5) Podia estar sempre ali no Porto? Como é que realmente as coisas desenrolam na minha ausência? O que podia ter feito para lá estar mais vezes? Ela convive com estranhos que nem sequer têm a minha permissão? Como é esse convívio? Essas são algumas das shits que passam pela minha cabeça, enquanto faço algum esforço para não deprimir;
6) Cheguei à Lisboa a tempo e à hora de puder ir trabalhar e com a promessa de esforçar para regressar à Invicta mais vezes.
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