terça-feira, 21 de maio de 2013

Crioulo - Recomendação do Fórum


Depois de ler a comunicação social da praça sobre o Fórum parlamentar “Por um bilinguismo social efectivo: a oficialização da língua cabo-verdiana”, dei comigo a pensar: Mário Lúcio é ainda mais sacana que o Manuel Veiga.

Segundo o jornal Asemana, Mário Lúcio, actual ministro da Cultura, disse que "agora a acção e o tempo verbal é oficializar o crioulo de Cabo Verde e que o futuro da escrita, a padronização e o ensino dependem desta oficialização." Estão a perceber a sacanagem? Ou seja, ao contrário do normal, o cabouco depende da construção da casa.

Qual é a pressa? 

Eu sou da opinião de que merecemos a oficialização do crioulo mas a seu devido tempo e com os devidos materiais para mais tarde não cairmos no usual tchapa-tchapa.

E se tivermos que oficializá-lo hoje?

Se tivemos que oficializar o crioulo hoje, vou ter que concordar com o linguista Nicolas Quint, não há oficialização de uma língua sem a perda ou vantagem de uma variante sobre a outra; não sejamos cínicos e dizer ao povo as coisas como elas são, vamos ter que oficializar a variante da ilha de Santiago(comummente conhecida como badiu ) pelas seguintes razões:
  • É a variante mais falada, logo democraticamente ela vence sobre as outras e todos os documentos oficiais serão escritas nessa variante - Língua oficial de Cabo Verde a par do português;
  • Ninguém será obrigado a falar o "badiu" mas terá a obrigação de conhecer essa variante quer falada, quer escrita;
  • E, pronto, acabarão as angústias de uns e realizarão os sonhos dos "patriotas".
Se não formos capazes de dizer isto claramente ao povo e convencê-lo, deixemos as coisas como estão e paremos com esta palhaçada de oficializar o crioulo às surdinas.

6 comentários:

  1. A isto se costuma chamar "gato escondido com o rabo de fora",,,

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    1. Pois é, ao menos que escondam o rabo porque assim não dá!

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  2. Aliás, meu amigo, estamos a falar, não de bilinguismo mas sim de TRILINGUISMO...A malta tem que saber português, crioulo oficial e, claro, o crioulo materno, da sua prória ilha, se não for "badiu"...Onde será, neste mjundo de Deus, que isto se repete?!

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    1. Lá está, mais um problema para coleccionarmos.

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  3. Os Caboverdianos desejam a oficialização do Crioulo. Parece que para oficializar é necesssário 2/3 dos votos dos deputados... nesta data oficializar a LCv é dar vida a esse "gato escondido com o rabo de fora" que é o AK (ex-Alupec). Uma proposta de escrita fonético-fonologico, traduzida - skrebi sima bu ta papia X ler sima sta skritu - obriga a todos os caboverdianos a fazer uma Leitura Fonética. Um meio caminho para acabar com as variantes dialectais de cada ilha a médio prazo. E os documentos oficiais terão de ser escritos apenas numa variedade. Que variedade? Está claro: a da Cidade Capital.

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    1. Pois, os cabo-verdianos, o que não sei se os deputados vão traduzir essa vontade do povo e não dos partidos. Se assim for, vão ter que ter em conta os contras.

      Um outro problema é que "skrebi sima bu ta papia" ka parsem me soluson. Mas, pronto, pior que tá, não deve ficar.

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