quarta-feira, 29 de abril de 2015

O olhar da minha amiga


Domingo passado, a convite de um amigo que era padrinho, estive numa festa na Amadora, mesmo na fronteira do Bairro de Santa Filomena.

Durante a festa, apareceu uma velha amiga do Porto que, ao contrário de tantas outras mulheres, não usava "cabelo de Babilónia". Tão cheia de si ela estava que era nítido o esforço que ela fez no salão ou em casa antes de ir à festa. A qualquer e mais pequeno sopro do vento, ela balançava a cabeça, ou com a ajuda das mãos, de modo a ajeitar os cabelos para ficar impecavelmente alinhados.

Ela está em Lisboa desde 2007, altura em terminou os estudos técnicos, e nunca mais nos tínhamos encontrados, nem nos contactamos. Ficou surpreendida com a minha presença e um pouco desconfortável com o companheiro dela; não conseguiu apresentar-me o "quarentão" que estava bem colado ao lado dela, até pareceu-me envergonhada. Não sei porquê.

Enquanto incessantemente tentava captar as informações para formar um juízo de valor da situação que estava a perturbar-me, num ápice, tudo aquilo que suspeitava se confirmou quando o gajo, mesmo sem sendo apresentado estendeu-me a mão - e com razão! - numa mera formalidades, num tom autoritário, a ordenou: "bem xinta li!". Percebi que o gajo já estava do outro lado sentado.

Vi a minha amiga cercada a festa toda por um indivíduo "simpático" que a olhava como um "és minha, ouviste?!". 

A minha velha amiga parecia gritar "socorro, livrem-me deste homem!" quando num olhar contraditório foi "arrancada" da pista para ir embora.

Apeteceu-me perguntar: "o quê que se passa contigo, minha amiga? Estou enganado no que estou a pensar?"

Espero estar literalmente enganado. Ficaria feliz se estivesse redondamente enganado.

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