quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pimenta no olho dos outros

Quando oiço ou vejo os portugueses a falar de burocracias e outros males para se obter um visto de residência, dá-me vontade de dizer: olha quem fala! Mas, ao mesmo tempo, estaria a cometer uma maior injustiça comigo mesmo, já que passo um bom tempo da minha vida em Portugal a reclamar das burocracias e falta de respeito por parte de muitos serviços, incluindo o dos Estrangeiros e Fronteiras. 

É pena que quem paga não é aquele que deve mas sim o zé povinho, portanto, as minhas solidariedades com todos aqueles que vivem noutros países e que são obrigados a humilharem em tudo que é fronteira. Sou utópico, por isso, acredito num mundo onde não é preciso dar satisfação à ninguém para se estar em algum lugar. 

Com este pedido de clemência, espero que os responsáveis do SEF tenham maior humildade e respeito por imigrantes sejam eles brasucas, ciganos, africanos ou asiáticos, a começar pelo tempo e reposta das documentações. 

Quanto à crise que assola Portugal e o mundo inteiro neste momento pode ser uma boa oportunidade de fazer-nos pensar no homem como um ser global. A emigração e interacção dos homens podem torná-los menos idiotas e estúpidos como muitos que nascem, passam a vida inteira num determinado país e quando tem um poder de decidir, decidem sempre à medida da sua limitada visão. Prova disso é encontrar e falar com um português que estiveram em África, muitos deles taxistas, na Guerra Colonial ou que já foi emigrante em algum outro país. Eles são totalmente diferente dos outros a nível do tratamento e respeito mas enfim..., existem também cabo-verdianos idiotas e eu sou um deles.

Ainda hoje continuo a acreditar que organizações como CPLP e PALOP são conversas para o boi dormir.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Fim do ano

Do Natal já nem se fala e começaram as correrias para o fim do ano. Organiza-se nas diferentes cidades do jardim à beira do mar festas em todos os cantos, becos e lugares. Publicidades, convites, mensagens..., cada um quer passar um bom final do ano.

De uma forma directa e indirecta(se calhar por respeito!), algumas pessoas já mandaram-me compor a minha aparência, em especial fazer a barba que, segundo a minha tia, está como "pentedju-l rotxa!"; para parecer com eles tenho que vestir ao rigor. Isto significa que tenho de abdicar dos meus inseparáveis ténis e t-shirt para calçar coco e vestir fato ou blazer; tenho que ir às lojas deixar os poucos cêntimos que sobraram; tenho que pagar a festa e autocarro para chegar ao salão da festa...

Vamos ver no quê que isso vai dar!

Mania

Não é que eu não defendo a qualidade mas quando vejo pobres com certas manias ponho-me a pensar: mundo é globalizado só quando dá-nos jeito. Acho que ainda não perceberam que Portugal é a Tailândia da Adidas para o futebol, ou seja, aqui se forma bons jogadores para os países desenvolvidos usarem e que a rentabilidade do desporto português necessita dos estrangeiros.

Estão a imaginar o campeonato português sem os jogadores estrangeiros ou com um número pequeno dos estrangeiros? Hehehehe, ficaríamos todos a ver a liga dos campeões em casa pela televisão e o aumento da qualidade da Liga dos Últimos.

Contrainformar

Bem que eu disse que um caroço da brasa caiu no barril da pólvora política cabo-verdiana e que os bombeiros temos excelentes. Mal deu a colisão, temos ataques e contra-ataques com tristezas, choques e outros. Ainda nem sequer o barril explodiu, continua o caboverdeano embrutecido sem saber nada!

Sem querer ser advogado do diabo, apeteceu-me mandar duas ou mais bocas quando o Liberal online noticiou aquele episódio de uma suposta birra do deputado Abraão Vicente consultando certas fontes do MpD sem sequer ouvir a sua parte. Não gostei da atitude do jornal mas fazer o quê?

Agora por coincidência ou não e nem me lembro como, ontem entrei no blog Aventar e dei com isto. Li e gostei da crónica em causa e pronto, continuei a minha viagem na net. Agora hoje ao ler esta "notícia" no jornal Asemana online e a reacção dos cabo-verdianos, pensei: porque será? Será que os comentadores reflectem sobre aquilo que lêem ou simplesmente comentam? 

Infelizmente se continuarmos com estas jogadas de distorção, notícias que nos convém, ataques e contra-ataques. Chegaremos lá mas gastando muito mais tempo do que necessário! Todos têm o direito de escrever, dizer, gostar o não gostar de qualquer que seja algo em causa. Mas distorcer com o propósito de desinformar, difamar, caluniar ou contrainformar, abomino categoricamente.

Credibilidade dos jornais cabo-verdianos? Depende do ponto de vista. Agora lembro-me do antigo blogger cabo-verdiano, Amílcar Tavares(volta Mica!), que escreveu um post: "porque não leio os jornais de Cabo Verde".

Sim, os políticos são para governar e não para gostar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Estou muito triste

Estou muito triste com as circunstâncias que levaram a prisão do Dino Diacho, um autêntico traficante de drogas, pela GNR. Não temos nenhuma relação familiar apesar de ser amigo dos seus pais desde criança.  Esses infelizes anónimos, partidarizados e cadastrados da net querem relacionar-nos a todo o custo! Só passei a conhecê-lo depois de regressar de Portugal e de ter passado pela nossa casa para tomar um grogue com o meu pai.

 Lembro-me de quando ele partiu para Lisboa. Três anos depois ele voltou com carros como galucho, boca de pato, boca de coruja, jeep, auto-tanques etc. Na época de Natal ele comprava brinquedo às crianças da minha aldeia, comprava água e distribuía às populações já que na minha aldeia a água está salobra, disponibilizava o seu carro para levar os estudantes à vila estudarem..., enfim, era querido, lindo, brilhante no seu trabalho e contribuía directamente para o desenvolvimento da minha aldeia. 

Infelizmente as jogadas dos bufos, deputados, vira-latas e outros do submundo da política, ditaram a sua prisão porque aqui tudo é globalizado e cada um quer tirar o seu proveito económico, político, social e amoroso. Já que somos democrático(é normal essas detenções!) as instituições funcionam aqui, espero que se faça justiça mesmo que fosse pelas instituições religiosas ou sobrenaturais!

Estou muito triste!

mrvadaz - mandador de bocas da blogosfera crioula.

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Esta imagem do grupo Tropical Power fundado pelo Norberto Tavares chamou-me bastante atenção não só pela combinação das cores do fundo onde os dois homens do meio sustentam as mãos mas, sobretudo, a pose de ambos. Destaque especial para o gajo de calça vermelha;)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

2 º Aniversário Tertúlia Crioula – Breves Notas


Tendo em conta o factor tempo, fico aqui com as breves notas em vez de um texto extenso que pensei digitar primeiramente. Por um lado, vamos ganhar porque, confesso, estes dias não estou com muita vontade para escrever alguma coisa. Então, vamos a elas:

a) Como um cabo-verdiano típico cheguei cerca trinta minutos atrasado às conferências que foram agendadas para ter início às 16 horas, o que fez com que eu, apesar da primeira conferência começar depois da hora marcada, perdesse o minuto de silêncio dedicado à Cesária Évora ( a diva que não deveu nada a este mundo e nem o mundo a ela. Os santos fazem milagres sempre em casas alheias, portanto, descansa em paz!) . Mesmo assim, consegui chegar a tempo do que boa parte da plateia mas isto não justifica a minha irresponsabilidade e desrespeito por aqueles que chegaram a tempo;

b) A mesa composta por Filinto Elísio, Olavo Correia, Suzano Costa, Manuel Faustino e João Estevão não deixou dúvidas: conferências excepcionais!

 c) Olavo Correia e João Estevão fizeram análises nuas e cruas da economia cabo-verdiana, aliás, análises essas deveriam ser feitas para os nossos jornais online, quem sabe ajudava muito boa gente a tirar os óculos amarelos e verdes para ver as coisas como elas são. Bem-aventurado o cabo-verdiano que não tem o windows do pensamento verde ou amarelo. Aqui vale a pena destacar os conselhos do Olavo Correia em “não comparar a economia cabo-verdiana com a dos outros países África Subsariana mas sim com outros pequenos países insulares” e do João Estevão em, acima de tudo, “questionar se temos a estrutura económica de um PDM”. Não me parece que muitos terão a coragem de seguir esses conselhos;

d) O Manuel Faustino, sem querer ser mal interpretado, deixou bem claro que o “mundo sem droga seria droga”. Diria um brasuca “eu amo esse cara”! Dando razão ao Protágoras, pela sua forma de expor, comunicar e transformar o complexo em simples, “ora ki nda grande, nkre ser sima el”;


e) O Filinto Elísio fez uma boa comunicação e possui uma visão estratégica da cultura cabo-verdiana, o que é de louvar. Pode ser difícil materializar todas essas visões tendo em conta a nossa capacidade técnica e económica mas fazer da “crioulização, escravatura, reconstrução do Porto Grande como factor indutora da economia” ou um simples “tirar partido do nosso património da UNESCO” não são algo descartáveis. Sim, é preciso vender o que é nosso! 
A meu ver o Filinto pecou em ligar a oficialização do crioulo como um factor necessário à melhoria da qualidade do péssimo português, numa “identidade esquizofrénica”; por apresentar como um ministro invisível do Zemas;

f) Suzano Costa como o principal mentor da Tertúlia Crioula está de parabéns pelo árduo trabalho desenvolvido para fincar a tertúlia na sociedade crioula; os meus parabéns estende a todos os jovens e não só, que participaram e participam neste projecto e que de uma forma ou outra contribuem a cimentação da Tertúlia Crioula. Hoje sem dúvidas algumas a Tertúlia Crioula constitui uma referência para os cabo-verdianos, sendo os ganhos são vários;

g) À plateia e participantes: bem haja! Sem falar em relatividades, nem todos são carneiros, usam óculos partidários ou admiram as cores do arco-íres. Há quem tenha a consciência da sua ignorância, procuram, lêem ou investigam os fenómenos físicos e não só, que fazem com que o arco-íres tenha tais cores no espectro visível. É preciso falar de fotões e da radiação electromagnética? É claro que não! O mundo continua a ser um grande palco;


h) À organização: os meus parabéns!

 i) Em jeito de sugestão/crítica: 1) uma pausa de cinco, dez minutos ou um coffe-break no meio de uma conferência de cinco horas é o mínimo que se pode fazer para evitar entradas e saídas, aumentar a sua eficiência ou evitar que ela seja massacrante; 2) há sempre aquela tentação para fazermos as comparações. É normal mas há que respeitar outros movimentos dos cabo-verdianos que surgiram noutros contextos e que de longe deram excelentes contribuições na cimentação da nossa cidadania. Hoje a Tertúlia Crioula está na moda, o que virá amanhã?
 Imagem: Xan

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Tá-se bem

Calma bro, podes fazer o diabo e sapatos porque tá-se bem! Aqui todos morrem heróis independentemente da raça, proveniência social, atitude, carácter e demais.
De repente "tá-se bem nigga, hoje temos o dia ganho".

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Rabolisu

Chéee  kota! Parece que um caroço da brasa caiu no barril da pólvora da nossa política mas..., eu sei, eu sei que temos dos melhores bombeiros e tudo vai acabar bem, pelo menos assim espero!

Aqui entra os meus pareceres sentimentais.
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Gala Mindel2011 vs Morabeza Dourada

Não é preciso ser um estatístico para saber que o cabo-verdiano gosta do entretenimento. Parece que este povo bendito já encontrou um "Mr Enterteinement" que lhe vai entreter por muito tempo. Eu sou um dos que louvou a iniciativa CVMA, achei muito bem a ideia e que ela deve repetir por muitos e felizes anos de vida.

Mas agora..., inventar um "inédito" de entretenimento que premeia "Arquitectura (arquitecto do ano e construção do ano), Comunicação Social (jornalista do ano, apresentador do ano para tv e rádio, programa de informação do ano que só contempla a televisão, programa de entretenimento do ano para rádio e tv, televisão do ano, jornal e revista do ano e rádio do ano), Cultura (Personalidade do ano, criador do ano), Desporto (desportista do ano, treinador do ano, clube/colectividade do ano), Empresas (empresário do ano, empresa do ano, publicidade do ano), Política (político do ano), Sociedade (activista do ano, ONG do ano), Homenagem (personalidade homenageada do ano), só podia ser a obra de um "Mr Enterteinement". Este mister não é nada mais e nada menos que o Gilyto do Stribilin e Sta na moda.

O que é isto? Que brincadeira é essa? Que merda é essa de misturar alhos e bugalhos, sacos e sapatos?! Para já, sugiro os lugares para as duas últimas melhores merdas inventadas em Cabo Verde: Gala Mindel2011 e Morabeza Dourada.

Enquanto estão a discutir a propriedade intelectual de cada um, deviam discutir a essência dessa propriedade e não me parece que essas saladas russas consigam distinguir coisa alguma da arquitectura, desporto ou política. Não querem distinguir o investigador e a mulher mais boa do ano?
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

What's the difference?

Nada contra a Fundação Carlos Albertino Veiga e as suas acções até porque quando tinha por aí entre 4 a 5 anos, ele foi à minha aldeia com um carro cheio de brinquedos e distribui às crianças. Pela primeira vez, muitas crianças da minha aldeia(eu incluído) puderam brincar com carros que não eram de lata, io-io, avião e barcos, entre outros brinquedos. 

Vendo o logótipo(?) desta fundação, fico mais uma vez a perguntar sobre a criatividade em Cabo Verde. Qual é a diferença entre as duas fotografias em cima? Como é que estamos em termos de criatividade em Cabo Verde?

Pessoal tenho um amigo em São Vicente que se formou em disign, salvo erro, ele tem uma empresa, Kebra Regra. Podem contratá-lo que, com certeza, ele vai criar algo melhor!

Imagens: Liberal e OBEY.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pedro Pires com colhões

Instigado pelo nosso colega blogueiro, Dai Varela, com seu post "Quem quer tramar Pedro Pires", fui ler o artigo, seguido do link que ele apresentou. Sim, acho uma injustiça tremenda aquilo que estão a catalogar o Pedro Pires neste momento por causa da sua declaração.

Quando o Pedro Pires(PP), aquele senhor que foi o meu presidente da república  e que durante o seu mandato só soube distribuir as medalhas, vier ao público dizer que "essa vossa teoria [dos países desenvolvidos] de regimes ditatoriais que devem ser mudados pela força, e se necessário, pela força exterior, é uma má teoria e é péssima. As soluções são internas. Quando nós obrigamos a uma solução externa, isso é uma espécie de enxertia que pode ter rejeições, como na Física e Biologia", obriga-me a dizer o seguinte:

Fogo!, afinal o gajo tem colhões para dizer alguma coisa de jeito. Sim concordo com o Pedro Pires hoje, essa teoria dos "ditadores que nos convém" tem que acabar e imediatamente. Finalmente!

Não é por isso que vou perdoar o PP pelas suas ditaduras do partido único, sua milícias ou o seu silêncio aquando da revisão constituicional que, segundo VB, o manteve 6 meses ilegal como presidente de Cabo Verde mas devemos dar ao César o que é dele, por isso, subscrevo quando ele disse o seguinte:

"Eu não sei se são tão ditatoriais como vocês dizem. As organizações internacionais também têm as suas orientações e eu não vou nessa. Eu analiso caso a caso. Espero e conto com a sabedoria das populações que, a partir daí, encontrarão as soluções"

Não acham estranho os jornalistas da Agência Lusa não exemplificaram a ditadura do Zedu em Angola como um dos casos? Pois é, a ditadura angolana serve aos excelentíssimos de Portugal e os patrões desses ditos jornalistas. O quê que dizem esses jornalistas sobre a possível entrada da Guiné Equatorial na CPLP?

Bem haja Pedro Pires, finalmente, mostraste que tens colhões!
Imagem: DN

CLARA DI SABURA - Convite



Tu que que estás na Invicta, se não tens nada programado podes sempre dar um pequeno salto  ao CLUBE LITERÁRIO DO PORTO para ver o filme "CLARA DI SABURA", Domingo, dia 19 de Dezembro às 15h.

Género: Comédia, 
ENTRADA LIVRE

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

KonfiSon no Blogue


Uma pequena homenagem ao Kaká Barboza.

Na verdade, o Kaká Barboza foi o primeiro autor cabo-verdiano que conheci a recitar um poema em crioulo num programa qualquer ou no lançamento de um livro qualquer. Eu era um miúdo na altura, não lembro dos pormenores mas foi o suficiente para eu começar a interessar por escritas em crioulo. Na altura nunca passou-me pela cabeça um dia ter um livro dele nas minhas mãos.

Passaram os anos, na Residência Estudantil Madre Teresa de Calcutá(REMTC), ASA, conheci os rapazes da ilha do Maio que adoravam tocar a guitarra. Um grande abraço para ao Delvany, vulgo Di D'Yayuka! Com o Gerson de Cidade Velha, onde, além dos acordes que comecei a aprender, li o "Vinti Xintidu letradu na kriolu" do Kaká Barboza e o "Ali bem tempu di Alibabá", salvo erro, do Dani Spínola(O título pode estar mal escrito porque estou a citá-lo de cor). Desses livros, com a ajuda do meu colega de quarto, Sancy, transcrevi uns poemas que até hoje andam comigo. Citava-os em todos os becos e cantos onde fazíamos actividades culturais. Também trouxe do Liceu de São Domingos o famoso poema "Barabás". 

Em ASA, conheci a minha ex-namorada, também uma apaixonada por essas coisas do crioulo. Um dia fomos à uma feira de livros organizada pelo Centro Cultural Português, onde comprei o "Son di ViraSon" e, mais tarde, recebi de presente o "KONFISON NA FINATA". Nas viagens entre Cabo Verde e Portugal, só consegui recuperar esses livros do Kaká Barboza no verão de 2010.

Lembro-me daquelas chatices que tivemos no 10ºano com "Os Lusíadas" do Camões; as maravilhas que tivemos ao estudar a Literatura Cabo-verdeana; as lágrimas que deitei fora no fim da leitura do "contra Mar e Vento"; livros que ficaram comigo para sempre, livros esses como "Chuva Braba", "O Galo que cantou na Baía", "Ilha Fantástica", "O Escravo", "Chiquinho" e por aí fora.

Na verdade, queria escrever uma espécie de crónica da minha ligação com o crioulo e uma simples homenagem ao autor do "Vinti xintidu letradu na kriolu", "Son di ViraSon" e "Konfison na FiNata" mas a emoção nestas coisas obriga-nos a desviar do essencial para escrever coisa que, se calhar, não tem nada a ver. Aliás, o Kaká Barboza merece, a meu ver, uma homenagem melhor do que esta minha crónica fatela  e um admirador mais corajoso para, como diria o Allen Halloween, "ir até o fim da linha". 

Encontrei com o Kaká Barbosa várias vezes em ASA. Nunca o disse alguma coisa. A última vez que cruzei com ele foi no funeral do nosso saudoso Ildo Lobo. Eu era adolescente, apenas segui os movimentos dos seus dedos enquanto mudava de acordes no seu violão. Fui ter com o Fanny do Anu Nobu que estava ao lado dele, perguntei-lhe como estavam os meus amigos em São Domingos. Depois daquela escuridão que se fez na última morada do Ildo Lobo em pleno funeral(lá está a Electra mais uma vez) voltei para à REMTC e acordei um ano depois na Invicta. 

Daqui deste meu canto, fica uma simples mas a sincera homenagem ao Carlos Alberto Lopes Barbosa "Kaká Barboza" que, segundo a sua própria konfison, nasceu no dia 1 de Maio de 1947, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente. Aquando a erupção vulcânica na ilha do Fogo, ele estava em Assomada, Santa Catarina, ilha de Santiago. Ele é músico, compositor e poeta. Publicou o "Vinti Xintidu Letradu na Krioulu", "Son di ViraSon" em língua materna e português. 

Na Pasu D'Azágua
Transcrito do livro Son di VirSon pág.43 da Spleen-Edições de Outubro de 1996.

Na pasu d'azágua
óki bu odja pulígnu nha korpu
na ladera ta rosa padja
nkurvadu riba d'inxada
suadu
modjadu
ta pinga suór
ta modja txon ki ta suste-m

Bu pode fla
m'é Kauberdi na nha mô
sima bandera-l nha speransa
spetadu n'alma nha deseju bibu
na simitériu na petu

Imagem: Son de ViraSon.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Nancy Vieira - No Amá


A Nancy Vieira é das poucas cantoras de Cabo Verde a quem nutro a simpatia actualmente. Para mim, deparar com um CD da Nancy é como deparar com um CD do Ildo Lobo por exemplo. Sei que exagerei na comparação mas é uma forma de dizer o quanto gosto de ouvi-la a cantar. 

Se calhar depois vou fazer uma resenha do "No Amá". Força Nancy!

Foto e notícias: 1, 2, 3.

Honoris Causa que nos convém

Há pouco mais de um mês, assisti no auditório da FEUP uma conferência sobre os novos paradigmas com o senhor Mário Soares e o professor Adriano Moreira. O que ouvi o professor Adriano Moreira a falar de Cabo Verde, encheu-me de orgulho, até ele confessou que é "suspeito" para falar de Cabo Verde. Dei comigo a perguntar para o meu amigo: 
- O gajo é cabo-verdiano? Só que no decorrer da conferência é que percebi que o homem não era cabo-verdiano mas uma coisa confesso-vos, o homem é apaixonado por Cabo Verde como poucos cabo-verdianos. 

Com isto, não quer dizer que defendo ou não a Honoris Causa que lhe foi atribuído pela Universidade do Mindelo. Há coisas que devemos analisar as duas faces da moeda e as aresta. Sem esquecer que várias variáveis determinam a queda da moeda. O problema é que poucos perceberam isso.

Pessoal, podia estar aqui um português a criticar a Honoris Causa do Pedro Pires que, a meu ver, é exactamente igual a do Adriano Moreira. Não devemos orgulhar da Honoris Causa que nos convém. Eu podia criticar a nossa relação com a NATO e ONU. E o Nobel da Paz do Obama? Tenho n razões para comparar mas vou ficar só com um pequeno comentário do Paulino Dias aquando do "Nada Aprendeu" do Pedro Pires:

"A análise é superficial, parcial, descontextualizada e fere princípios básicos de análise histórica. Se fôssemos por este prisma, hoje a Europa (entre as quais Portugal!!!) não estaria a implorar aos alemães que segurassem a coisa na Zona Euro, depois de tudo o que a Alemanha fez durante a Segunda Guerra Mundial".

Pois é meus caros, o Paulino Dias abriu os meus olhos a partir daquele dia e mudei um pouco a maneira de encarar as coisas, ou seja, "um lugar para cada coisa, cada coisa no seu lugar". Sim, somos uns pobretões com a mania de grandeza, infelizmente, quando somos é pobres não temos a voz nem posição, apenas obedecemos. É a lei da selva, os poderosos fazem história e escrevem, os pobres obedecem a história, lendo-as. 

Sem esquecer que Cabo Verde tem uma relação extremamente forte com Portugal, sendo que este país exerce um papel fundamental na construção e sedimentação da nossa democracia. Pessoal, a influência de Portugal em Cabo Verde não é só económica, é CULTURAL! Perceberam? CULTURAL! O Adriano Moreira teve um papel nessas influências quer na abertura do Campo de Tarrafal, quer na abertura do Campo Europeu.

Para já afirmo, esta polémica é desnecessária!

Ai se vivêssemos das memórias! Vivemos das histórias em que os fortes fazem e os fracos obedecem, não há volta a dar nisto páh!
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Polícia-Comunitária



ATENÇÃO! Para a Sua Segurança os Bairros da Praia Encontram-se sob a Vigilância dos Milicianos Polícia-Comunitária.


Li a notícia que a Polícia Nacional(PN) tem um novo método de combater a criminalidade na Praia, método este que consiste em implementar polícias-comunitários, ou seja, "são 40 agentes, divididos em oito grupos, que vão viver nos diferentes bairros da capital, fazendo parte da comunidade". Até aqui tudo bem, ao fim ao cabo, os elementos da PN são cidadãos e os cidadãos devem viver em qualquer que seja os bairros em Cabo Verde.

Mas esta com o único propósito de conhecer a comunidade por "dentro ou seja cada local, cada morador e detectar qualquer movimento suspeito ou sinal de perigo", para mim, não passa de uma gritante falta de política interna adequada e o condicionalismo à liberdade individual. Meus senhores já ultrapassamos a época dos milicianos, bufos e chibos do partido único. Nem é preciso ser sociólogo para ver que quando a força de segurança é usada de forma inadequada passará a ser a força de insegurança. Sugiro que alguém de responsabilidade chame atenção a isto ou devemos reaver a constituição que nós temos.

Eu como cidadão caboverdeano, não sinto bem a viver num bairro onde sei que de antemão está ali um polícia a vigiar os meus movimentos. WTF?! Ai desses tiques que insistem e persistem na mente desses pseudo-criadores! Daqui a pouco, à semelhança daquilo que o Dai Varela criticou, alguém vai eleger a Polícia-Comunitária como algo de excelência. Haja saco para tantas bostas!

P.S. Lembro-me vagamente de alguns homens vestidos com fardas verdes e chapéu "tchico" na minha aldeia. Conhecíamos aqueles gajos pronto-a-actuar como milicianos. Eu era criança, não lembro das coisas nitidamente mas conheço pessoas deficientes que, segundo dizem, hoje são assim por causa dos ditos milicianos. Também conheço a história de uma grávida que foi preso em cima da sua cama e foi para o chilindró de pijama.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

TCP: Convite


Tertúlia Crioula Portuense tem o prazer de convidar, uma vez mais, a toda a comunidade académica cabo-verdiana no Porto e não, a fazer parte do fórum de discussão a ter lugar no dia 10 de Dezembro de 2011, sob o tema "Juventude e Violência Urbana: Os Thugs e a Criminalidade Juvenil em Cabo Verde". Participe!

Local & Horário: Clube Literário do Porto, às 17:00 horas
Morada: Rua Nova da Alfândega, nr. 22, 4050-430, Porto

Indirecta directa


Indirecta: dizem que à terceira vez é de vez minha querida; que não devemos ser orgulhosos, um defeito meu por natureza; que às vezes devemos dar o braço a torcer, quiçá parti-lo.

Com isso quero dizer-te que o layaout do meu telemóvel é qwerty e estão muito nítido para digitar os números e letras. Com certeza não estás a espera de ignorar a minha próxima chamada. Eu, muito sinceramente, espero não errar nos próximos nomes que escrevo antes de pressionar a tecla verde.

Soltem a besta!
Imagem: black rose

Dono e donices

Conheci o João Dono através das "Notas do Dono" no liberal. Sempre gostei das suas notas, às vezes, discordando dos seus métodos futurologistas para uma análise politica bem estruturada. Ouvi uma conversa dele na RTC no programa Perfil, pareceu-me ser um gajo bastante sensato e por aí fora.

Ao ler esta entrevista no Asemana, dei comigo a pensar: este não é o João Dono! Não é pelo conteúdo da entrevista que concordo com boa percentagem mas sim pela forma e local. Salvo erro, há pouco tempo, o Asemana crucificou o seu nome na praça pública por, supostamente, ter dado calote a um emigrante e por ele ser membro da comissão política do MpD. No mínimo, se o objectivo era criar pressão aos dirigentes do MpD para apoiar o seu projecto à Câmara Municipal do Maio, devia conceder a entrevista ao Liberal.

Continuo a concordar com o Dono quando denunciou certos podres do MpD discordando totalmente com os métodos e técnicas. A política é um jogo onde a bola tem espinhas, portanto, não pode ser jogada com botas muito menos luvas.

Lá vem o Carlos Monteiro a invocar a JpD para defender um VpD. Está no seu direito mas pelo menos devia poupar os jovens. Pessoalmente, acho que Carlos Veiga é uma mais valia para o MpD nos bastidores mas como líder o povo já lhe disse três vezes "não". 

domingo, 4 de dezembro de 2011

Agora

Então, diga-me, não é assim a felicidade?!
Agora que vives naquele mundo,
Não caminhas entre os basaltos
Desconheces a selva e fera,
Ou, alguma dúvida?

Agora já não precisas do azagaia
Nem dos escudos. Caminhas para o bem!
Agora consegues destinguir o bem do mal,
A coça do alcobaça, que taparam as noites
Alegres entre os gemidos e legos.

Sim, gritei! Gritei calado e cantei as noites
A ameaça, o ignoro e a privação
São os gritos que ecoam no silêncio.

O medo ou porcelana escondida?
Talvez um pano bem apertado para ti
Ou uma máscara para mim.
Admito, sei onde ando
E desconheço a árvore que plantei.
Entre as espinhas e os que regaram
Já nem sei onde estou. 

Carinho, jante e latas


Começamos assim:

a) Um café é sempre bom para compensar uma pequena viagem à faculdade que até parece estarem intimamente ligadas. Não deixei de cumprimentar a minha amiga no Campus S.João;

b) Numa conversa animada e despedida no Salgueiros, não pude deixar de reparar uma senhora com uma cadela no colo dentro do metro. Próxima paragem, Marquês! Sentido, direction, Santo Ovídio! Aí já podia contemplar a senhora. Pareceu-me que a cadela estava doente e a senhora não parava de acariciar os seios da cadela, enquanto as lágrimas escorriam na sua face. Pereceu-me haver alguma sintonia de dor entre ambas mas como the next stop Trindade, não presenciei o desfecho da história. Aquilo marcou-me muito e nem sei o porquê, talvez se aquela senhora soubesse o que estava a passar comigo, deixava a sua cadela para cuidar de mim.

c) Como sempre, o Allen Halloween azucrinou os meus ouvidos com o niggas odeiam o meu nome, aliás, um ouvido de cada vez, já que o meu auscultador só tem o lado direito. Ai vida de pobre! Depois de quatro picas, finalmente, cheguei à casa dos meu amigo. Fui muito bem acolhido mas o meu coração não estava para aquele clima. Fiz o que prometi fazer! Chegou uma amiga dele mais a outra, são ambas simpáticas! 

d) Eiiii chit, nem sei caracterizar o clima! Eram os santolas com budjuras numa barulhada total. Kizomba, bola, computadores, raquetes, kuduro, samba, romântica e por aí fora. Depois do congo e muito congo, te amo para alguns. Ah, pois, não podia faltar beer, vinho e sangria. Chegaram mais duas amigas mas eu tava nem aí, estava a viajar no tempo;

e) Tudo mudou: felizmente o meu amigo é sekento, resolvemos deixar a malta para irmos ao cinema. Íamos ver nada mais e nada menos que o Puss in Boots, ou seja, o tal Gato de Botas do Shrek. Meu Deus o miau hahahah. O conquistador, fugitivo, fora da lei etc que encontrou a gatinha maaaau. Miau!  Fartei-me de rir e estava mesmo a precisar disso. O meus sábado não começou bem mas terminou em grande;)

Miaau!